Título de Campeão Nacional sem jogar em casa completa 34 anos

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Há trinta e quatro anos, mais precisamente no dia 2 de Outubro de 1983, a Académica Operária surpreendia o País ao sagrar-se campeã de Cabo Verde e dar a ilha da Boavista, o seu primeiro título nacional.

A conquista que inscreveu o nome da Ilha das Dunas na história como a terceira a ganhar o título máximo de clubes no País, até hoje é inédita por ser a única que a campeã não jogou nenhuma partida em casa.

Apesar disso, a equipa não se intimidou diante de poderosos como Boavista da Praia e Derby de São Vicente. Com talento e o Orgulho Cabrêr, os boavistenses provaram quem também eram unz pizôd, autênticos tomba-gigantes.

A caminhada da Micá de Bubista rumo ao título, começou com a estreia diante do Marabeza da Brava que tinha sido finalista vencido da 1ª Taça de Cabo Verde. Para resolver a questão, foram precisos dois jogos. O primeiro não chegou ao fim por falta de visibilidade, no prolongamento registava um empate sem golos.

Quarenta e oito horas depois os dois emblemas voltaram ao campo para novo tira-teimas e desta vez a Micá venceu no desempate através de grandes penalidades, após outro empate a zero. Os encontros foram disputados em campo neutro, no Estádio 5 de Julho, na ilha do Fogo.

Qualificado para as meias-finais, o destino quis que a Micá jogasse de novo fora de casa e em terreno considerado difícil, o Estádio da Várzea. Nas quatro linhas os jogadores contrariaram a lógica e com um golo de Tchiduca na transformação de uma grande penalidade, tombaram o Boavista da Praia por 1 a 0.

Uma semana antes, os axadrezados da capital haviam derrotado o Farense da 1ª Divisão de Portugal, pelo mesmo placar, golo do falecido Rubom. A campeã de Santiago havia transformado no primeiro clube caboverdiano a vencer uma equipa da divisão da elite do futebol português.

Como quem tomba um gigante não tem medo de tombar um segundo e somado ao facto de jogar fora ter passado a ser uma motivação extra, Micá de Bubista foi ao Estádio da Fontinha derrotar o Derby de São Vicente na final, por 2 a 0. Na época a decisão do nacional era realizada alternadamente, entre Mindelo e Praia.

A taça começou a ter a ilha da Boavista como destino, quando aos cinquenta e nove minutos, Djonsa bateu um livre, o craque Chana chegou primeiro que a defesa derbiana e de cabeça bateu o guarda-redes Cadabra.

Catorze minutos depois chegaria a confirmação da vitória, lançado em profundidade pela esquerda, Chana ganhou a disputa da bola com o veloz lateral Prigoso, correu para a área e endossou para Djonsa que chutou forte para o fundo das redes e sentenciou a partida para o delírio dos boavistenses.

Conforme o extinto jornal Voz di Povo, os heróis da final pela Académica foram:

Tone (Gr); Djoblas, Piduca, Buche e Trona; Maginho, Chana e Finha; Reis (Bony)(Cacói), Djonsa e Tchiduca.

Não Utilizados: Niba, Lone e Lota

Treinador: Euclides Costa (Kakito)

O título sem jogar uma única partida em casa e sem nenhum golo sofrido e que orgulha a ilha da Boavista virou tema de música. Em 93, no encerramento do Festival da Praia de Cruz, o artista tradicional Noel Fortes chamou o publico para em coro cantarem, É Micá, Micá di Bubista que bá ganhá Derby la na komp de São Vicente.

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